A OAB/DF realizou, na noite desta ter√ßa-feira (5), o lan√ßamento do document√°rio “Direito √† Mem√≥ria”. Com dura√ß√£o de 50 minutos, o m√©dia-metragem √© um congregado de imagens e entrevistas que relatam a atua√ß√£o da Ordem dos Advogados do Brasil Seccional DF durante o per√≠odo de ditadura militar.

Segundo Alisson Rafael Sousa Lopes, presidente da Comiss√£o da Mem√≥ria da Verdade, o tempo foi um dos pontos chaves do filme. ‚ÄúPensamos em passar este document√°rio nas escolas, por isso 50 minutos. √Č um tempo bom, tem o formato de passar em uma aula‚ÄĚ, contou. Segundo Lopes, a ideia inicial era fazer um livro, por√©m o document√°rio permite fazer um resgate melhor sobre o que a ditadura tentou apagar.

Por falar em hist√≥ria, para C√©zar Britto, ex-presidente da OAB, ‚Äús√≥ quem n√£o gosta de hist√≥ria √© quem faz mal uso dela‚ÄĚ. Logo depois o membro honor√°rio vital√≠cio afirmou que ‚Äúdeve-se proporcionar o acesso √† nossa hist√≥ria para aprender com os erros do passado e n√£o os repeti-los novamente‚ÄĚ.

Uma das entrevistadas no document√°rio √© Maria Jos√© Concei√ß√£o Maninha, m√©dica. Segundo ela, na √©poca da ditadura militar as torturas e as pris√Ķes eram constantes. ‚ÄúNessa √©poca v√°rias pessoas sofreram muitas viol√™ncias, eu mesma tive um aborto espont√Ęneo causado por stress. Poder compartilhar com essas hist√≥rias da nossa vida e o nosso combate na √©poca da ditadura √© algo que conforta‚ÄĚ, pontuou.

Jarbas Silva Marques √© um dos jornalistas que tamb√©m est√° por tr√°s da montagem do document√°rio. Jarbas contou que um dos maiores desafios do projeto foram a agenda e a idade dos entrevistados, uma vez que alguns, inclusive, at√© j√° morreram. Contudo, Marques ressaltou que ‚Äúparticipar desse resgate hist√≥rico foi uma grande honra, principalmente por j√° ter trabalhado na Casa e ter sido editor-chefe da Ordem‚ÄĚ.

Conduzido pela advogada pioneira Herilda Balduino, o filme apresentou relatos dos advogados atuantes durante o período e depoimentos de ex-alunos da Universidade de Brasília (UNB). Além disso, jornalistas que foram presos e torturados também contaram suas experiências. Os arquivos foram gravados entre 2013 e 2015 e editados neste ano, no formato de filme.

Participaram da mesa de inauguração do filme Alisson Rafael Souza Lopes, presidente da Comissão da Memória da Verdade; Cézar Britto, ex-presidente da OAB Nacional; Maria José Conceição Maninha, médica; Toninho, dirigente do Partido Socialismo e Liberdade (PSOL); Herilda Balduino Silva, advogada; Jarbas Marques, jornalista; José Geraldo, advogado e ex-reitor da Universidade de Brasília (UNB); Vitor Neiva, advogado; Hélio Doyle, jornalista e Lucas Rafael, vídeo artista. Além desses o lançamento contou com a presença de todos os membros da Comissão da Memória e da Verdade da OAB/DF.