A implementação da nova Base Nacional Comum Curricular (BNCC) do Ensino Médio foi tema de evento realizado nesta quarta-feira (2), na sede da OAB/DF. Promovido pela Comissão de Educação, o evento teve como foco a aplicação das mudanças e seus impactos na vida de de estudantes, professores, escolas e familiares. A expectativa é que nos próximos dois anos a nova política já seja implementada.

Basicamente, o documento consiste em estabelecer as habilidades e competências que devem ser desenvolvidas pelos alunos ao longo do ensino médio em cada uma das áreas. No início de abril, o Ministério da Educação (MEC) entregou a proposta da base ao Conselho Nacional de Educação (CNE), que por sua vez poderá fazer mudanças.

Segundo o MEC, as instituições de ensino terão a liberdade de criar estruturas diferentes: um colégio poderá manter um currículo tradicional e outro poderá criar um sistema de módulos ou créditos, por exemplo. Os modelos variados estarão liberados desde que cada escola respeite a carga horária mínima de 3 mil horas e que 1.800 (60%) delas — equivalentes a uma média de três horas por dia durante os três anos — sejam do conteúdo obrigatório definido pela BNCC. O restante será escolhido por cada estudante.

A BNCC do ensino médio é organizada por áreas do conhecimento: linguagens, matemática, ciências da natureza e ciências humanas. Apenas as disciplinas de língua portuguesa e matemática aparecem como componentes curriculares, ou seja, disciplinas obrigatórias para os três anos do ensino médio. O tempo restante deve ser dedicado ao aprofundamento no itinerário formativo de escolha do estudante.

Durante a abertura, o presidente da Comissão de Educação, Luis Claudio Megiorin, destacou que hoje o modelo de ensino médio brasileiro é bastante complicado e um pouco ‘injusto’ com os estudantes. São inúmeras matérias e, caso os estudantes reprove em duas, por exemplo, devem refazer todo o ano. Isso, segundo ele, causa evasão escolar.

“Uma coisa muito importante é que não podemos mais continuar com esse ensino obtuso. Um aluno fica reprovado em duas matérias e tem de refazer as outras nove ou dez matérias. Imagina na escola privada, em que o pai tem de pagar tudo de novo. O aluno não tem que fazer todo o processo novamente, ele tem que focar somente nas matérias que ele reprovou”, afirmou Megiorin.

Para o presidente da comissão, o ensino técnico também precisa de uma atualização para que possa dar oportunidade aos alunos que não têm interesse em ir para a universidade. “O governo fez uma reforma tímida, poderia ter sido mais ousada. Hoje nós temos um ensino muito complicado. Universidade não é para todos em nenhum país do mundo. Nós não temos condições de por todos os alunos em universidade. Por isso, nós precisamos avançar no ensino técnico”.

O professor Fernando Wirthmann, diretor da Diretoria de Ensino Médio da Subsecretaria de Educação Básica da Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal, apresentou uma proposta de nova arquitetura diante do cronograma de implementação do novo ensino médio. “O tempo é muito curto. Caso a base seja homologada até final deste ano, em 2019 vamos desenvolver o plano de implementação e, em 2020, já iniciar o novo sistema. Por isso a necessidade de discutir, ainda esse ano, a arquitetura para que ano que vem tenhamos um plano de implementação sólido, desenvolvido com calma e cautela como a educação merece”, concluiu.

De acordo com o professor, o momento mais difícil do processo de homologação é reunir profissionais da rede privada, todos os entes envolvidos, sobretudo da academia para fazer alterações na formação inicial dos nossos professores dentro do cronograma esperado. “Qualquer tempo perdido vai impactar significativamente no lapso temporal que precisamos acelerar para implementar uma reforma de ensino médio realmente eficiente. O desafio é muito grande”.

O especialista em gestão escolar, doutorando em educação e professor, Marcello Lasneaux, trouxe duas principais características na nova base do ensino médio. Ele defende o sistema de créditos. “Primeiro é organizar nossos componentes organizacionais em dois semestres, com regime semestral para que o aluno desenvolva estratégias de resgate de aprendizado em cada semestre. Segundo, é a adoção do sistema de créditos, como nas universidades. Assim, caso o estudante reprove em uma disciplina das treze que cursou, ele apenas refaz a que foi reprovado”.